A Lava Jato acredita que a ampliação da repatriação é uma tentativa de silenciar Cunha

Se for adiante, as chances de a esposa do deputado cassado ser anistiada podem ser exploradas

Financeiramente bom, eticamente grotesco. Assim pode ser resumido o programa de repatriação de ativos no exterior. Se, por um lado, faz com que bilhões de dólares retornem a um Brasil ainda em crise, por outro, oferece um mar de impunidade a milhares de criminosos milionários que passam a contar com uma espécie de anistia por intermédio do recolhimentos de impostos e pagamento de multas. De quebra, alinha-se com a lógica italiana que arrefeceu a Mãos Limpas – e legou ao poder ninguém menos do que Silvio Berlusconi.

Animada com os números obtidos até 31 de outubro, Brasília quer mais, quer que parentes de políticos possam ser anistiados. Renan Calheiros e Romero Jucá encabeçam a iniciativa sob juras de que apenas dinheiro lícito passará pelo filtro. Enquanto isso, membros da Lava Jato têm certeza de que a nova fase do programa tem o objetivo de manter Eduardo Cunha em silêncio.

Porque a esposa do ex-presidente da Câmara responde por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Conforme alerta Vera Magalhães em sua coluna no Estadão, o texto pode abrir brechas para que até Cláudia Cruz receba a anistia do governo Temer. E uma delação do deputado cassado é tudo o que o governo Temer mais quer evitar.

É uma vergonha e a imprensa precisa ficar em cima. Mas o projeto também interessa ao PT. O que leva a crer que, da imprensa, só partirão colunas isoladas. É bem pouco para impedir a impunidade de correr solta.

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